XTUBO Nº 2

R$ 15,00

XTUBO Nº 2. Apocalipse e Ficção científica, novembro de 2024. Homenagem a Roberto Piva. Com trabalhos de Ana Claudia de Souza, Barão, Eloah Margoni, Nílbio Thé, Rafael Alvarenga, Ricardo Rodrigues, Rogis Maic, TW Jonas e uma entrevista exclusiva com a artista plástica Courtney Brown.

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Chegamos ao segundo número de nossa revista, faltando exatamente 90 segundos para o apocalipse, de acordo com o Doomsday Clock. Misto de marketing cultural com arte contemporânea, o maldito relógio, criado pelo comitê de diretores do “Boletim dos Cientistas Atômicos”, da Universidade de Chicago, embora seja preciso no que se refere à captação dos problemas do mundo, mais se parece com uma performance do grupo Fluxus.

Se o mundo está próximo do fim ou não, não estaremos aqui para saber. Fato é que vivemos sob o signo de filmes como Ensaio sobre a cegueira (Fernando Meirelles, 2008), Melancolia (Lars von Trier, 2011) e Não olhe para cima (Adam McKay, 2021). As imagens do apocalipse, a cereja do bolo de filmes B e de obras hollywoodianas faraônicas, agora impregnam a cena cinematográfica e artística e as mentes dos terráqueos. Estamos em plena retomada das viagens e da guerra espacial. Cientistas, magnatas, bilionários, cineastas, patriotas, alucinados de todos os tipos, todos estão em busca do objeto não identificado. Assim como Raul Seixas… muitos resolveram olhar para cima e pedir socorro!

Oh! Oh! Seu moço!
Do Disco Voador
Me leve com você
Pra onde você for
Oh! Oh! Seu moço!
Mas não me deixe aqui
Enquanto eu sei que tem
Tanta estrela por aí

Se na XTUBO Nº1 tratamos dos movimentos surrealista e marxista, das utopias, enfim, nesta vamos tratar das antiutopias ou das distopias. Nosso tema é Apocalipse e Ficção científica, pois, assim como os cientistas atômicos do Doomsday Clock, nós também captamos o mood do mundo. E o mundo anda muito ansioso e não vê a hora de se livrar de nós. Não podemos culpá-lo, estamos numa relação tóxica com ele. Vamos nos separar? Procurar outros planetas? Dar vazão ao “instinto astronauta da espécie”? Não sabemos, mas podemos, devemos e vamos especular a respeito.

Para isso estamos aqui, armados com a trilha sonora do caos, com resenhas, manifestos e loucos poemas apocalípticos. Sobrevivemos à Covid, à guerra na Ucrânia, ao Estado Terrorista de Israel, ao governo genocida-nacional-verde-amarelo, à solidão, ao desânimo e ao desalento de produzir arte num país que não valoriza a educação e muito menos a arte e os seus artistas. Um país e um mundo fadados ao fracasso, caso não esqueçam as naves espaciais e deem marcha ré imediatamente. Pois antes de irmos pro espaço, no bom ou no mau sentido, precisamos reparar alguns erros históricos cometidos pela civilização. Sair sem pagar a conta seria deselegante. Temos pouco tempo para uma virada, mas, como no futebol, os últimos segundos são decisivos. “Deus morreu” junto com a esperança, é certo, mas o esperançar freiriano se impõe e nos estimula a levantar, a ir atrás, a construir, a não desistir, a nos juntar com outros para fazer de outro modo.

Enquanto a hecatombe faz a barba numa manhã tépida de céu claro, tudo o que precisamos, após cavar a própria cova, é continuar a cavar, só que em outras direções, para emergir e buscar uma ou mais saídas.

Peso 0,05 kg
Dimensões 1 × 14 × 21 cm

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